Mensagem do Presidente

SER IGREJA

Um dia desses, fui ao mercado com minhas filhas (5 e 3 anos). Enquanto andávamos pela loja, observei que elas colocavam dentro do carrinho tudo o que viam pela frente. Por mais que eu tentasse impedir, para cada objeto adicionado havia uma explicação “plausível” justificando a necessidade daquele item.

Aos poucos o carrinho ia se enchendo de roupas, brinquedos, bolsas, cosméticos, acessórios, artigos de papelaria, doces e todos os tipos de “tralhas”. Quando chegou a hora de pagar, minhas meninas foram confrontadas com uma realidade que haviam ignorado até ali: não tínhamos dinheiro para comprar a loja toda.

Rapidamente considerei com elas algumas opções. Em primeiro lugar, propus deixar de fazer algumas coisas que elas gostavam e usar o dinheiro para comprar tudo que haviam escolhido. Enquanto riscava da nossa rotina as várias atividades que elas estavam acostumadas a realizar, percebi rapidamente um olhar de resistência se formar no semblante de ambas. Fui um pouco além e ventilei a possibilidade de deixarmos de fazer as coisas básicas. Disse que poderíamos deixar de comprar comida, por exemplo. Ou não comprarmos mais remédios. Sugeri ainda tirá-las da escola e, durante um período, morarmos na rua para conseguir comprar tudo que elas haviam idealizado. Pausei então para observar um rápido

diálogo que se seguiu entre as duas.

Depois de algumas deliberações, a mais velha me perguntou: “Papai, o que podemos levar hoje sem deixar de fazer o que a gente precisa?”. Se tivéssemos começado as compras com esta pergunta teríamos evitado uma grande perda de tempo. O intuito do coração delas era bom e realmente o desejo que tinham era de trazer qualidade de vida e alegria para nossa casa, mas não contavam que para cada proposta haveria um preço a ser pago.

Dizer o que elas achavam ser necessário parecia ser fácil até chegar na boca do caixa. Lá descobriram que nem tudo que parece ser interessante é, de fato, necessário. A resposta para a pergunta da minha filha mais velha depende de eu saber QUEM SOU EU (IDENTIDADE) e ONDE QUERO CHEGAR (MISSÃO). Só assim saberei OS PASSOS QUE DEVO SEGUIR (ESTRATÉGIA) e QUAIS FERRAMENTAS DEVO USAR (MÉTODO) para que eu alcance o objetivo proposto. Mas tudo começa com a identidade.

A igreja funciona da mesma maneira. Muito embora haja justificativa plausível para se tentar aplicar as várias soluções que surgem ao longo caminho, cada ideia tem seu preço e implicações. Enquanto uns propõe remeter a igreja a um período no passado que consideram ter sido ideal, outros imaginam serem capazes de reinventar a igreja através da desconstrução institucional e descontinuidade histórica.

São muitas as possibilidades que cruzam os caminhos da liderança. Não é que estas ideias sejam más em si, são apenas custosas e nem sempre compatíveis com a nossa vocação principal.

O desafio de antigamente era ter acesso às ferramentas. Nosso desafio atual se tornou o excesso de ferramentas. Saber o que tirar é tão importante quanto saber o que colocar. A sabedoria está em focar naquilo que sabemos fazer e utilizar de maneira responsável as possibilidades que temos nas mãos. Se não tivermos consciência do nosso propósito real como igreja, tudo parecerá urgente e correremos o risco de usar os recursos Divinos naquilo que Deus não nos pediu para fazer, deixando de fazer aquilo que Ele espera de nós.

A igreja possui uma identidade de PROCLAMAÇÃO (Mt. 28:18-20; Mc. 16:15-16; Lc. 24:44-49; Jo 20:21-23; At. 1:7-8). Por proclamação entendemos: 1) a exposição objetiva da fé bíblica; 2) um chamado para posicionamento; e 3) a integração de pessoas ativas à comunidade Cristã.

Tudo que tivermos nas mãos deverá ser usado como ferramenta para alcançar este objetivo final. Desenvolvimento

espiritual, reforma de saúde, ação social, interação cultural, diálogo geracional, ações de pontes, conexão urbana, abordagem relevante, interação comunitária, serviços de apoio e tudo mais que temos a oferecer não fazem (por si só) sermos igreja. Os métodos de Cristo nos norteiam, mas devem ser executados na sua máxima extensão. Ele era intencional na sua abordagem até o ponto de “ordenar então: SEGUE-ME”.

Foi Ele quem condicionou Seu retorno à pregação do Evangelho a todos (Mat. 24:14). Assim trabalharam os apóstolos, pioneiros da igreja, e assim diz a profecia que devemos fazer. Sem proclamação, seremos excelentes prestadores de serviço, mas jamais cumpriremos aquilo que Deus espera de nós.

A Associação Paulista do Vale propõe que, como parte da estratégia de ação, cada membro seja levado a crescer em 3 áreas - acróstico “SER” IGREJA:

1) “S”ABER quem é Deus;

2) “E”NSINAR acerca de Deus;

3) “R”EALIZAR o trabalho de Deus.

Nossos métodos missionários são conhecidos e, muito embora não resumam a totalidade riqueza daquilo que significa pregar o evangelho, se desenvolvidos de maneira básica frutificarão muito e nos levarão mais próximos de sermos aquilo que Deus sonha para sua igreja.

Neste ano aplique seus talentos à Causa do Mestre. Motive-se pelo exemplo dos heróis da fé. Atue com alegria na porção do trabalho que Deus lhe designou. Seja criativo, seja ousado, seja responsável. Seja também bíblico, seja espiritual. Mas antes de iniciarmos os trabalhos da igreja, pausemos para fazer a seguinte pergunta: “Papai, o que podemos levar hoje sem deixar de fazer o que a gente precisa? ” Seja igreja e deixe a igreja SER IGREJA.

Deus te use!

Pr. Oliveiros Jr.

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